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Batalha de narrativas no conflito Israel-Palestina

25 nov 2023

Os eventos que se desdobraram a partir do dia 7 de outubro em Israel e nos territórios palestinos ameaçam empurrar para um futuro incerto a perspectiva de paz na região. Para Israel, esse foi o dia mais sangrento de sua história, nunca tantos judeus haviam sido mortos desde o holocausto. Cerca de 1.200 israelenses foram massacrados dentro de seu território, muitos dentro de suas próprias casas, e há ainda um número significativo de reféns em poder do Hamas em Gaza. A fundação do Estado de Israel representou a garantia de proteção a um povo perseguido milenarmente. Até aqui, Israel havia sido capaz de manter essa garantia. Para os palestinos, o que se seguiu não deixa de ser menos desastroso. Em Gaza, o bombardeio disparado como resposta às atrocidades cometidas pelo Hamas ameaça não só a vida, até o momento são cerca de 11 mil mortos, mas também as perspectivas futuras de um povo já gravemente atingido nas suas aspirações a ter um Estado nacional. Na Cisjordânia, também houve repercussão, registrando-se aumento no número de ataques a palestinos por parte de colonos judeus. Segundo o Ministério da Saúde de Ramallah, 170 foram mortos no intervalo entre os dias 7 de outubro e 11 de novembro, mais do que o número total de palestinos mortos por forças de defesa israelenses em todo o ano de 2022.1 O quadro geral tem o potencial de levar o ressentimento e o ódio entre os dois povos a níveis sem precedentes, dificultando ainda mais as possibilidades de resolução definitiva de um conflito que se arrasta por mais de setenta anos e impede que as vidas de israelenses e palestinos possam correr livres da ameaça constante de eclosão da violência. Trata-se de uma verdadeira tragédia, em que resulta igualmente trágico a perda da própria noção de que é disso que se trata, uma tragédia. É dessa perda e dos efeitos dela que pretende se ocupar este texto.

Embora o conflito entre árabes e judeus na região possa ser resumido a uma longa lista de agressões mútuas, uma breve revisitação das origens e desdobramentos dessa história permite compreender melhor as razões de cada lado. Na virada do século XIX para o XX, começa a surgir entre alguns judeus europeus a ideia de que a vida judaica não seria mais possível na Europa, de que ali eles seriam sempre vistos como um filho bastardo, nunca plenamente aceitos naquilo que constituía sua identidade judaica. É a época de fortes movimentos nacionalistas na Europa, dos pogroms e também do começo do sionismo e, consequentemente, do surgimento de um movimento migratório mais significativo de judeus para a região do Levante. Antes disso, na Idade Média, os judeus haviam sido proibidos de possuir terras. Concentraram-se, então, em adquirir recursos através do acúmulo de moeda, sendo por isso acusados de gananciosos. Durante a Peste Negra, que atingiu a Europa nos últimos séculos da Idade Média, não eram raros os casos de judeus mortos como bodes expiatórios. Acreditava-se que a doença seria fruto da ira divina e sacrificar judeus seria um modo de apaziguá-la.

Com esse cenário em mente, não é difícil de entender por que os judeus começaram a sentir que a continuidade de sua existência dependeria de sua saída do continente onde haviam vivido por tantos séculos, mas que lhes havia perseguido de maneira sistemática. Os anos 1930, com a ascensão do nazismo, deixam pouca dúvida sobre a acuidade dessa percepção. Para quem ainda estiver indeciso, sugiro consultar os números do holocausto. A chegada dos judeus europeus ao território que viria a ser Israel é, portanto, a chegada de um povo fugindo de perseguições e à procura do seu território, de um espaço em que poderia afirmar livremente sua identidade. Num sentido mais profundo, não se tratava de uma chegada e sim de um retorno, pois ali se encontrava o território ancestral dos judeus.

É também como um retorno que os palestinos caracterizam seu anseio de ter a sua terra. Eles não estão à procura de qualquer pedaço de terra, mas sim do território onde se entenderam como um povo e onde sentem que podem afirmar e viver sua identidade. Com o surgimento do nacionalismo árabe e o declínio do Império Otomano na região do Levante, processos também do começo do século XX, os árabes que ali estavam passam a se reivindicar como um povo com identidade própria, denominando-se palestinos. Palestina era o nome usado por gregos e, depois, romanos para designar partes daquela região. O nome foi revivido pelos britânicos ao estabelecerem ali seu mandato, após a Primeira Guerra, e também pelos árabes. Um dos símbolos mais expressivos da ligação dos palestinos com esse pedaço do mundo e do seu anseio por um lar nacional é uma chave que muitos carregam no pescoço. Sua origem remonta ao que chamam de Nakba, em árabe “desastre” ou “catástrofe”. É como os palestinos se referem aos eventos que, para os judeus, são conhecidos como a criação do Estado de Israel. Estima-se que, nessa ocasião, 700 mil palestinos perderam suas casas ou foram retirados de seus territórios. A chave que adotaram como símbolo de sua luta é a chave dessas casas.

Em 1947, um ano antes do estabelecimento de Israel e da Nakba, a liderança palestina recusa por uma segunda vez o plano de partição da Palestina apresentado pelas Nações Unidas. A liderança sionista, que também havia recusado o primeiro plano, aceita-o na sua segunda versão. Em 1948, logo após Israel declarar sua independência dentro do território que lhe haviam designado as Nações Unidas, os países da Liga Árabe lideram uma ofensiva militar para impedir a consolidação do estado judeu, deflagrando o que ficou conhecido como Guerra de Independência. É no contexto dessa guerra que os palestinos perdem suas casas. Em My Promised Land: the Triumph and Tragedy of Israel, Ari Shavit reconstitui a desocupação de Lida durante a guerra, uma cidade próxima a Tel Aviv e, à época, basicamente uma cidade árabe. A população árabe é retirada dali para permitir a constituição de uma faixa de território contínuo habitado por judeus, dentro das fronteiras atribuídas a Israel pelas Nações Unidas. Shavit chama atenção para o fato de que, nos anos anteriores à guerra, as relações entre os árabes de Lida e os judeus de vilarejos próximos haviam sido muito profícuas.2 Vale lembrar que, nas décadas seguintes, os judeus que viviam em países do mundo árabe serão paulatinamente expulsos de suas casas e desses países. Estima-se que, desse contingente de judeus, 650 mil tenham imigrado para Israel.

Com o final da guerra e a vitória de Israel sobre os países da Liga Árabe, os territórios que deveriam corresponder ao Estado Palestino passam a ficar, poucos anos depois, sob o domínio do Egito, na sua porção a oeste, na Faixa de Gaza, e da Jordânia, na sua porção leste, na Cisjordânia. A Jordânia, ao contrário do Egito, concede cidadania aos palestinos que ficam sob seu governo. Israel já o havia feito quando de sua fundação. Ao povo palestino sobra apenas a esperança abalada de um estado para chamar de seu. Nesse contexto, passa a haver uma tendência dominante entre as lideranças palestinas pelo uso de métodos violentos para tentar erradicar o Estado de Israel e substitui-lo por um Estado palestino. Do ponto de vista da liderança palestina, o Estado de Israel só é reconhecido nos anos 1990, nos Acordos de Oslo.

Haveria muito mais a dizer sobre os desdobramentos e a continuidade dessa história, mas o ponto que quero estabelecer aqui, para ressaltar o caráter trágico da situação, é que se trata de um embate entre dois povos com igual legitimidade nas suas aspirações territoriais que, tragicamente, recaem sobre o mesmíssimo espaço geográfico. O sentimento de ligação dos judeus com essa porção do mundo é real, tanto no sentido histórico como existencial. Igualmente real é o sentimento de ligação dos palestinos com esse mesmo pedaço do globo, nos dois aspectos. Não há outro território em que os palestinos possam ser palestinos nem outro canto do mundo em que os judeus possam viver plenamente seu caráter de povo. E, em nome disso, ambos cometeram atos violentos condenáveis em relação ao outro. Ambos estão, portanto, em alguma medida certos em enxergarem no outro uma ameaça a sua existência.

Porém, há ainda mais verdade na reivindicação tanto de judeus quanto de árabes palestinos para que sejam reconhecidos como populações nativas dessa região, que já esteve sob o domínio de várias forças políticas e já foi chamada por muitos nomes, mas que sempre fez parte dos primeiros capítulos da história desses dois povos. Há também igual verdade na narrativa que contam de ser um povo que perdeu suas terras. Isso vale para ambos e é esta a tragédia: um povo em diáspora, alvo de algumas das piores crueldades documentadas na história, ao se reestabelecer no seu território ancestral, se chocou com um povo que havia há pouco começado a se entender como tal e esse choque complicou e muito a situação tanto de judeus-israelenses como de árabes-palestinos. Do ponto de vista de muitos palestinos, eles perderam suas terras porque os judeus ali desembarcaram e as tomaram para si. Do ponto de vista de muitos judeus, os palestinos são aqueles que nunca reconheceram plenamente seu direito ao território e sempre fizeram de tudo para impedir a consolidação desse direito. Há traços de verdade nas duas perspectivas.

Para agudizar o problema, esses dois pontos de vista tem sido usados, por lideranças dos dois lados, para criar um choque de narrativas e, assim, se manterem no poder deslegitimando o discurso de grupos políticos que defendem a paz: haveria um inimigo a ser combatido e não um povo com o qual se deve entrar em acordo. Trata-se do uso perverso de uma crença que, como relata Gershon Baskin em Israel e Palestina: um ativista em busca da paz, é comum tanto a palestinos como a israelenses.3 A transformação do outro em inimigo tem produzido um ciclo vicioso de ataques e represálias com o qual os Acordos de Oslo tentaram romper. O fracasso desses acordos e daqueles que lhe sucederam representa bem quais as consequências de se considerar esse conflito como um embate entre o certo e o errado: a perpetuação do ciclo de violência. Isso é o que chamei, no começo deste texto, da perda da noção de tragédia. Numa tragédia, não se pode estabelecer claramente quem é o lado certo e quem é o lado errado, assim definiu o escritor israelense Amós Oz, grande proponente de se pensar o conflito Israel-Palestina desse modo.4 A noção de tragédia resiste à ideia de bem e mal claramente distintos. Os dois lados estão certos e os dois também estão errados, especialmente quando se creem certos demais.

Em contraposição ao que designei como tragédia, o que se tem verificado é a prevalência de um discurso e de um modus operandi que estabelece claramente qual o lado certo dessa história. E isso é uma verdadeira tragédia quando se trata de um conflito cuja única solução passa pelo reconhecimento de que os dois povos têm direito à sua existência e ainda mais quando esse reconhecimento implica uma divisão dolorosa do território em disputa. Oz chega a caracterizar essa divisão como uma amputação, ressaltando o sentimento de perda de um pedaço de si que ela imporá aos dois povos.5 Os dois terão de abrir mão de uma parte de algo que veem como fundamental a si e, em alguns casos, inclusive sagrado. É precisamente esse caráter existencial e doloroso do embate entre dois pontos de vista legítimos que discursos unilaterais falham em captar. E, ao falharem, alimentam a ideia de que a única forma de resolução possível desse conflito é a vitória do supostamente certo sobre o supostamente errado, de um lado sobre o outro. Restaria apenas determinar qual o lado certo. Boa sorte, é esse o caminho que tem resultado no banho de sangue ao qual temos assistido nas últimas décadas.

No dia 5 de novembro, a atriz Letícia Sabatella postou numa rede social que “a maior parte dos civis israelenses mortos no ataque terrorista do Hamas em 7/10/23 foi abatida por soldados israelenses”. Três dias depois, ela teve de se retratar, dizendo que havia sido vítima de uma fake news.6 Uma reportagem do New York Times datada de 15 de novembro deste ano relata aumento de atividades, nas redes sociais da extrema-direita, cujo objetivo é usar a resposta militar de Israel em Gaza para alimentar o antissemitismo entre simpatizantes e militantes de esquerda. Um canal específico no Telegram contém instruções para que se poste sobre a morte de civis palestinos em Gaza, vítimas dos bombardeios israelenses, para atrair atenção de ativistas de esquerda e, como escreveu um usuário, “quando conseguir atrai-los (ativistas de esquerda), culpe os judeus”.7 Dois anos antes, em 13 de outubro de 2021, Bezalel Smotrich, então membro do Knesset, disse, falando em sessão do próprio parlamento israelense e se referindo a parlamentares de origem árabe, “vocês estão aqui por um erro, um erro de Ben Gurion que não terminou o serviço e não os expulsou em 1948”. Logo antes, Smotrich havia se referido aos mesmos parlamentares como “antissionistas, terroristas, inimigos”.8

O que esses três exemplos têm em comum é justamente a tentativa de vilanizar o outro lado — ora usando mentiras descaradas, como no caso de Sabatella, ora manipulando fatos e editando a história — para se afirmar como única posição legítima. Smotrich chama os parlamentares árabes de terroristas sabendo que isso traz à memória da população de Israel toda uma série de atos de violência cometidos contra si por grupos de origem palestina e o faz na tentativa de reduzir todo o povo palestino às ações condenáveis desses grupos, ignorando por completo a legitimidade desse povo enquanto tal. Seriam apenas terroristas. Procedimento semelhante é aplicado quando se acusa Israel de genocídio. A acusação não tem respaldo nos fatos. Desde o surgimento de Israel, os palestinos não estão em declínio demográfico, sua população se conta na casa dos milhões, e o número de mortos vítimas dos bombardeios em Gaza em curso desde o dia 7 de outubro não representa nem 0,6% da população de Gaza, que gira em torno de 2 milhões de habitantes. Como toda morte de civis, cada uma delas deve ser lamentada e suscitar sentimentos de forte solidariedade na comunidade internacional. Israel deve ser condenado por crimes de guerra, se os houver cometido. Mas dizer que há um genocídio em curso é absurdo. Imputar a Israel esse tipo de acusação é manipular fatos para invalidar seu direito de existir como nação, tentando estabelecer uma falsa equivalência entre ações questionáveis de um estado nacional e práticas de grupos terroristas ou mesmo do nazismo. Nega-se, assim, aos judeus a legitimidade de seu direito à autodeterminação. Quando a acusação de genocídio é imputada diretamente aos judeus, trata-se de um caso ainda mais evidente de antissemitismo. Isso não quer dizer que não haja fatos a discutir e motivos para criticar Israel. Falemos novamente em crimes de guerra, falemos em violações de direitos humanos, mas não em genocídio. Não há por que aplicar outros conceitos para o que já tem designação adequada, criando imprecisões históricas e conceituais, a não ser que se pretenda com isso promover distorções mal intencionadas.

O mesmo poderia ser dito sobre a caracterização dos judeus como forças coloniais. Ela ignora por completo a ligação ancestral dos judeus com o território que hoje é Israel e apaga o histórico de perseguições e desterritorialização que motivou o sionismo, a própria pluralidade do sionismo e do povo judeu e as relações complexas tanto de judeus como de árabes com os britânicos, estes sim uma força imperialista. Isso sem mencionar que passa por cima do papel de países árabes, como Egito e Jordânia, na inviabilização de um Estado palestino e das sucessivas tentativas israelenses de firmar um acordo de paz do qual surgiriam dois estados para dois povos. Falemos em ocupação militar ilegal dos territórios palestinos por Israel, mas não em forças opressoras coloniais contra forças oprimidas anticoloniais. Falemos em como a ocupação divide a sociedade israelense e como essa divisão está ligada a uma luta, no interior do país, entre aqueles que defendem uma Israel democrática e o fim da ocupação e os que defendem uma Grande Israel de caráter religioso-fundamentalista.

Essas simplificações perigosas do discurso, sem qualquer nuance ou discussão aprofundada, servem apenas para criar batalhas de narrativas e alimentar a lógica do extremismo. Correspondem exatamente ao modo de operar de Benjamin Netanyahu, um político que vai cada vez mais para a extrema-direita e que sempre usou do medo e de teorias conspiratórios para se manter no poder. Quanto ao Hamas, como se ainda houvesse lugar para hesitação antes do dia 7 de outubro, o que falta para reconhecer o seu caráter de organização terrorista e assim reprová-lo sem adversativas e sem promover falsas equivalências entre suas ações e as ações de um estado nacional? O que falta para reconhecer que seu principal objetivo não é a criação de dois estados, mas sim a extinção do Estado de Israel, como o próprio Hamas deixou claro em sua carta de fundação, e que, portanto, não se trata de um movimento de libertação nacional? Com simplificações e inverdades, não se pode avançar na discussão complexa de como chegar a uma resolução pacífica do conflito. Uma resolução que deve exigir concessões dolorosas de cada lado justamente para que seja possível contemplar os anseios legítimos de ambos. Para isso, de nada serve reduzir judeus israelenses às ações de um governo que hoje está para cair nem árabes palestinos às ações de um grupo minoritário de terroristas, que deve ser neutralizado.

Estamos caminhando em terreno escorregadio. Faz anos, palestinos e israelenses estão sendo engolidos por uma série de mútuos ataques e represálias e tem se colhido péssimos resultados com as tentativas de cravar qual o principal responsável por isso. Se de um lado Israel tem há muito supremacia militar na região e cometeu abusos no uso desse poder, de outro os palestinos fizeram uma série de erros estratégicos, a começar por não terem aceitado a partição do território em 1947, e por terem usado de métodos violentos contra civis. Contabilizar quem foi responsável por mais erros não servirá a nada no sentido de facilitar a volta dos processos de paz, especialmente depois de a população civil de Israel sofrer o mais brutal ataque de sua história e de os civis palestinos em Gaza serem vítimas de bombardeios intensos num território sob cerco militar.

Há que se reconhecer que nenhum dos dois povos esteve tão vulnerável do ponto vista existencial quanto agora. Israel não foi capaz de impedir o massacre de civis dentro do seu próprio território. Quebrou-se a promessa implícita na sua fundação: nunca mais judeus seriam mortos sem qualquer possibilidade de defesa, muito menos em seu território. E foi exatamente isso que aconteceu, ecoando os episódios mais cruéis da história judaica. Os palestinos, por sua vez, são reféns do Hamas, que os usa não exatamente como escudos humanos mas sim como mártires de sua causa, que não é a do povo palestino. E são também vítimas do sufocamento que não só Israel, mas também o Egito, impõem a Gaza e de uma ocupação militar imoral na Cisjordânia, com todas as suas consequências na vida cotidiana dessa população.

Gostaria de terminar lembrando mais uma vez Amós Oz. No melhor estilo do humor judaico, Oz propõe que quando o conflito Israel-Palestina finalmente chegar a uma resolução pacífica — que, para ele, viria pelo cansaço produzido por um estado permanente de guerra —, israelenses e palestinos deveriam empreender um primeiro projeto em comum: a construção de um monumento à estupidez dos dois lados.

Porque todos sabem que quando o tratado de paz finalmente estiver implementado, o povo palestino vai ficar com muito menos do que poderia ter tido 55 anos atrás (…) Se ao menos a liderança palestina em 1947–8 tivesse sido menos fanática e unilateral, e menos avessa a um acordo de compromisso (…) mas a liderança israelense também terá de contribuir para esse monumento à estupidez, porque nós (…) poderíamos ter obtido um acordo muito melhor (…) se tivéssemos sido menos arrogantes (…) após nossa vitória militar de 1967.9

Ao promover simplificações, imprecisões e distorções, cada um de nós dá sua honrosa contribuição para a construção desse monumento. Façamos melhor uso das palavras. É o que merece o povo judeu e o povo palestino num momento bastante grave de suas histórias, fatalmente entrelaçadas.