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Fascismo e democracia1

Fevereiro, 1941


Isabella C. Reiche

Um dos passatempos mais fáceis do mundo é desmascarar a democracia. Neste país, dificilmente alguém se vê obrigado a se incomodar com os argumentos meramente reacionários contra o governo popular, mas durante os últimos vinte anos a democracia “burguesa” foi mais sutilmente atacada por fascistas e comunistas, e é muito significativo que esses aparentes inimigos tenham a atacado ambos no mesmo sentido. É verdade que os Fascistas, com seus métodos mais ousados de propaganda, também usam, quando lhes convêm, o argumento aristocrático que a democracia “leva os piores homens ao topo”, mas a afirmação básica de todos os apologetas do totalitarismo é que a Democracia é uma fraude. Supõe-se que ela apenas encobriria o governo de um pequeno punhado de homens ricos. Isso não é totalmente falso, e ainda menos é obviamente falso; pelo contrário, há mais a ser dito a favor desse argumento do que contra ele. Um jovem estudante de dezesseis anos consegue atacar a democracia muito melhor do que conseguiria defendê-la. E não se pode dar uma resposta a menos que se conheça a “causa” antidemocrática e se esteja disposto a admitir a grande parte de verdade que ela contém.

Para começar, sempre se insiste que a Democracia “burguesa” é negada pela desigualdade econômica. Qual é a utilidade da dita liberdade política para um homem que trabalha doze horas por dia para ganhar três libras por semana? A cada cinco anos ele talvez tenha a chance de votar em seu partido favorito, mas no resto do tempo praticamente todos os detalhes de sua vida são ditados por seu empregador. E, na prática, sua vida política também. A classe rica pode ficar com todos os trabalhos oficiais e ministeriais importantes em suas mãos, e pode colocar o sistema eleitoral para trabalhar a seu favor, subornando o eleitorado, direta ou indiretamente. Mesmo quando por alguma fatalidade um governo representando as classes mais pobres chega ao poder, os ricos geralmente podem chantageá-lo, ameaçando exportar capital. Mais importante de tudo é que quase toda a vida cultural e intelectual da comunidade — jornais, livros, educação, filmes, rádio — é controlada por homens endinheirados que têm os maiores motivos para impedir a disseminação de certas ideias. O cidadão de um país democrático é “condicionado” desde o nascimento, menos rígida mas não menos efetivamente do que ele seria em um estado totalitário.

E não existe nenhuma certeza de que o governo de uma classe privilegiada pode ser derrotado por meios puramente democráticos. Em teoria, um governo trabalhista pode assumir o cargo com uma clara maioria e proceder imediatamente para estabelecer o socialismo por uma Lei do Parlamento. Na prática, as classes ricas iriam se rebelar, e provavelmente com sucesso, porque elas teriam ao seu lado a maior parte dos servidores assim como dos homens-chave das Forças Armadas. Os métodos democráticos só são possíveis quando há ampla base de acordo entre todos os partidos políticos. Não há razão suficiente para pensar que qualquer mudança realmente fundamental possa ser alcançada pacificamente.

Ademais, com frequência, argumenta-se que toda a fachada da democracia — liberdade de expressão e reunião, sindicatos independentes e assim por diante — necessariamente entraria em colapso assim que as classes ricas não estivessem mais em posição de fazer concessões a seus empregados. A “liberdade” política, dizem, é simplesmente um suborno, um substituto incruento para a Gestapo. É um fato que os países que chamamos de democráticos geralmente são países prósperos — em sua maioria, eles estão explorando mão de obra barata e de cor, direta ou indiretamente — e também é verdade que a democracia, tal como a conhecemos, nunca existiu exceto em países marítimos ou montanhosos, ou seja, países que podem se defender sem a necessidade de enormes exércitos permanentes. A democracia acompanha condições de vida favoráveis, e provavelmente as exige; ela nunca floresceu em Estados pobres e militarizados. Como se diz: retire-se a posição protegida da Inglaterra e ela prontamente voltará a métodos políticos tão bárbaros quanto os da Romênia. Além disso, todo governo, democrático ou totalitário, baseia-se em última instância na força. Quando se vê seriamente ameaçado, nenhum governo, a menos que pretenda ser conivente com sua própria derrubada, pode ou mostra o menor respeito pelos “direitos” democráticos. Um país democrático lutando em uma guerra dramática é forçado, tanto quanto uma autocracia ou um Estado fascista, a recrutar soldados, coagir o trabalho, prender os derrotistas, reprimir os jornais sediciosos; em outras palavras, ele só pode se salvar da destruição deixando de ser democrático. As coisas pelas quais ele supostamente deveria lutar são sempre descartadas assim que a luta começa.

Grosso modo, são esses os argumentos contrários à democracia “burguesa”, promovidos tanto por fascistas quanto por comunistas, embora com diferenças de ênfase. É preciso admitir que, em todos esses pontos, há uma boa dose de verdade. E, ainda assim, por que em última instância essa causa antidemocrática é equivocada? Pois todos que são criados em um país democrático sabem quase instintivamente que há algo de errado com essa linha de argumentação.

O que está errado com essa familiar desmistificação da democracia é que ela não pode explicar o conjunto dos fatos. As reais diferenças na atmosfera social e no comportamento político entre países são muito maiores do que as que podem ser explicadas por qualquer teoria que anule as leis, costumes, tradições etc. como meras “superestruturas”. No papel, é muito simples demonstrar que a democracia é “igual a” (ou “tão ruim quanto”) o totalitarismo. Há campos de concentração na Alemanha; mas também há campos de concentração na Índia. Judeus são perseguidos onde quer que reine o fascismo; mas e as leis racistas na África do Sul? Honestidade intelectual é um crime em qualquer país totalitário; mas mesmo na Inglaterra não é exatamente lucrativo falar e escrever a verdade. Esses paralelos podem ser estendidos indefinidamente. Mas o argumento implícito em todo esse raciocínio é de que uma diferença de grau não é uma diferença. É bem verdade, por exemplo, que há perseguição política em países democráticos. A questão é quanto. Quantos refugiados saíram da Grã-Bretanha, ou de todo Império Britânico, nos últimos sete anos? E quantos da Alemanha? Quantas pessoas que você conhece foram espancadas com cassetetes de borracha ou forçadas a engolir pints de óleo de rícino? Quão perigoso você sente que é ir ao pub mais próximo e expressar sua opinião que esta é uma guerra capitalista e que deveríamos parar de lutar? Você conseguiria apontar algo na história britânica ou americana recente que se compare com os Expurgos de Junho, com os processos contra os trotskistas russos, com o pogrom que se seguiu ao assassinato de von Rath? Um artigo equivalente a esse que estou escrevendo poderia ser impresso em um país totalitário, vermelho, marrom ou preto? O Daily Worker acabou de ser fechado, mas depois de dez anos de vida, enquanto em Roma, Moscou ou Berlim ele não poderia ter sobrevivido por dez dias. E durante os últimos seis meses de sua vida, não apenas a Grã-Bretanha esteve em guerra, mas em uma situação mais desesperadora do que em qualquer outro momento desde Trafalgar. Além disso — e esse é o ponto essencial —, mesmo depois da repressão ao Daily Worker seus editores puderam fazer alarde público, declarações em sua própria defesa, perguntas ao Parlamento e pedir o apoio de muitas pessoas bem-intencionadas de variados tons do espectro político. A “liquidação” rápida e final, que seria evidente em uma dúzia de outros países, não apenas não acontece, mas a possibilidade de que isso talvez aconteça mal entra na cabeça de alguém.

Não é particularmente significativo que os fascistas e comunistas britânicos tenham opiniões pró-Hitler; o que é significativo é que eles se atrevam a expressá-las. Ao fazê-lo, eles estão silenciosamente admitindo que as liberdades democráticas não são de todo uma farsa. Durante os anos 1929–34, todos os comunistas ortodoxos estavam comprometidos com a crença de que o “social-fascismo” (ou seja, o Socialismo) era o verdadeiro inimigo dos trabalhadores e que a Democracia capitalista não era de forma alguma preferível ao Fascismo. Entretanto, quando Hitler chegou ao poder, dezenas de milhares de comunistas alemães — ainda proferindo a mesma doutrina, que só foi abandonada tempos depois — fugiram para a França, Suécia, Inglaterra, EUA ou qualquer outro país democrático que os admitisse. Com sua ação, eles desmentiram suas palavras; eles “votaram com seus pés”, como Lênin disse. E aqui estamos diante do grande trunfo que a democracia capitalista tem para mostrar. É o sentimento comparativo de segurança de que gozam os cidadãos de países democráticos, o conhecimento que quando você fala sobre política com seu amigo não há ouvidos da Gestapo colados no buraco da fechadura, a crença de que “eles” não podem te punir a menos que você tenha violado a lei, a crença de que a lei está acima do Estado. Não importa que essa crença seja em parte uma ilusão — como ela é, claro. Uma ilusão generalizada, capaz de influenciar o comportamento público, é em si um fato importante. Imaginemos que o atual governo britânico ou algum futuro decida, na sequência da supressão do Daily Worker, por destruir totalmente o Partido Comunista, como foi feito na Itália ou na Alemanha. Muito provavelmente eles achariam a tarefa impossível. Uma perseguição política desse tipo só pode ser levada adiante por uma Gestapo desenvolvida, que não existe na Inglaterra e não poderia ser criada no momento. A atmosfera social é bastante contrária a isso, o pessoal necessário não estaria disponível. Os pacifistas que nos asseguram que se lutarmos contra o Fascismo nos “tornaremos Fascistas” esquecem que todo sistema político precisa ser operado por seres humanos, e seres humanos são influenciados por seu passado. A Inglaterra pode sofrer muitas mudanças degenerativas como resultado de uma guerra, mas ela não pode, exceto possivelmente por uma conquista, tornar-se uma réplica da Alemanha nazista. Ela pode se transformar em algum tipo de austro-fascismo, mas não no Fascismo de tipo positivo, revolucionário, maligno. Não há o material humano necessário. Devemos isso a três séculos de segurança e ao fato de que não fomos derrotados na última guerra.

Mas não estou sugerindo que a “liberdade” referida nos principais artigos do Daily Worker é a única coisa pela qual vale a pena lutar. A democracia capitalista não é suficiente em si, e, mais ainda, ela não pode ser recuperada a menos que se transforme em outra coisa. Nossos estadistas conservadores, com suas mentes mortas, provavelmente esperam e acreditam que o resultado da vitória britânica será simplesmente um retorno ao passado: outro Tratado de Versalhes, e então a retomada da vida econômica “normal”, com seus milhões de desempregados, caça de veados nas charnecas escocesas, a partida de Eton e Harrow no 11 de julho etc. etc. Os teóricos antiguerra da extrema esquerda temem ou declaram temer a mesma coisa. Mas essa é uma concepção estática que falha até hoje em captar o poder daquilo contra o qual lutamos. O nazismo pode ou não ser um disfarce para o capitalismo monopolista, mas de qualquer forma não é capitalista no sentido do século XIX. Ele é governado pela espada e não pelo talão de cheque. É uma economia centralizada, otimizada para a guerra e capaz de usar ao máximo o trabalho e as matérias-primas que ela exige. Um Estado capitalista à moda antiga, com todas as suas forças se movendo em direções diferentes, com armamentos erguidos em prol dos lucros, idiotas incompetentes ocupando altas posições por direito de nascimento e constante atrito entre classes, obviamente não pode competir com esse tipo de coisa. Se a campanha da Frente Popular tivesse sido bem-sucedida e a Inglaterra há dois ou três anos atrás tivesse se juntado à França e à URSS para uma guerra preventiva — ou uma ameaça de guerra — contra a Alemanha, o capitalismo britânico talvez tivesse recebido uma nova oportunidade. Mas isso não aconteceu: Hitler teve tempo para se armar ao máximo e foi bem sucedido em afastar seus inimigos. Por pelo menos mais um ano a Inglaterra é obrigada a lutar sozinha, e contra severas adversidades. Nossas vantagens são, primeiramente, a força naval, e em segundo lugar, o fato de que nossos recursos a longo prazo são muito maiores, se pudermos usá-los. Mas nós só podemos usá-los se transformarmos nosso sistema social e econômico de cima a baixo. A produtividade do trabalho, a moral da frente interna, a atitude dos povos de cor e das populações europeias conquistadas para conosco, tudo depende em absoluto de podermos contestar a acusação de Goebbels de que a Inglaterra é meramente uma plutocracia egoísta lutando pelo status quo. Porque se permanecermos essa plutocracia — e a descrição de Goebbels não for inteiramente falsa —, seremos vencidos. Se eu tivesse que escolher entre a Inglaterra de Chamberlain e o tipo de regime que Hitler pretende impor sobre nós, escolheria a Inglaterra de Chamberlain sem um momento de hesitação. Mas essa alternativa realmente não existe. De forma grosseira: a escolha é entre o socialismo e a derrota. Precisamos seguir em frente, ou perecer.

No último verão, quando a situação da Inglaterra era obviamente mais desesperadora do que é agora, havia um amplo entendimento desse fato. Se a atmosfera dos meses de verão se desfez, é em parte porque as coisas se mostraram menos desastrosas do que a maioria das pessoas esperava, mas em parte também porque não existia partido político, jornal ou indivíduo excepcional para dar ao descontentamento geral voz e direção. Não havia ninguém capaz de explicar — de maneira que tivesse audiência — porque estávamos nessa bagunça que estávamos e como poderíamos sair dela. O homem que uniu a nação foi Churchill, um homem corajoso e de talento, mas um patriota do tipo limitado e tradicional. Na verdade, Churchill simplesmente disse: “Estamos lutando pela Inglaterra”, e o povo se reuniu para segui-lo. Alguém teria comovido as pessoas dizendo: “Estamos lutando pelo socialismo”? Elas sabiam que haviam sido enganadas, sabiam que o sistema social existente estava totalmente errado e queriam algo diferente — mas era o socialismo o que elas queriam? O que era o socialismo de qualquer forma? Até hoje a palavra tem apenas um sentido vago para a grande massa do povo inglês; certamente não tem apelo emocional. Homens não morrerão por ele na mesma quantidade dos que morrerão pelo rei ou pelo país. Contudo, por mais que se admire Churchill — e eu pessoalmente sempre o admirei como homem e escritor, mesmo que goste pouco de sua política — e por mais grato que se possa sentir pelo que ele fez no verão passado, não é uma observação assustadora sobre o movimento socialista inglês que agora, no momento do desastre, o povo continue procurando um conservador para liderá-lo?

O que a Inglaterra nunca teve é um partido socialista que fosse sério e levasse em conta as realidades contemporâneas. Quaisquer que sejam os programas que o Partido Trabalhista possa lançar, tem sido difícil nos últimos dez anos acreditar que seus líderes esperaram ou até desejaram ver alguma mudança fundamental durante sua vida. Consequentemente, o sentimento revolucionário tal como existiu no movimento de esquerda se perdeu em vários becos sem saída, dos quais o comunista foi o mais importante. O comunismo foi desde o começo uma causa perdida na Europa ocidental, e os partidos comunistas de vários países logo degeneraram em meros agentes publicitários do regime russo. Nessa situação, eles foram forçados não apenas a mudar suas opiniões mais fundamentais a cada alteração da política russa, mas a insultar todo instinto e toda tradição do povo que eles tentavam liderar. Após uma guerra civil, duas fomes e um expurgo, sua Terra Natal adotada se estabeleceu sob o domínio oligárquico, a rígida censura de ideias e o culto servil a um Führer. Em vez de salientar que a Rússia era um país atrasado com o qual nós talvez pudéssemos aprender, mas que não se poderia esperar que fosse imitado, os comunistas foram obrigados a fingir que os expurgos, “liquidações” etc. eram sintomas saudáveis que qualquer pessoa com bom senso gostaria de ver transferidos para a Inglaterra. Naturalmente, as pessoas que poderiam se sentir atraídas por tal crença, e continuaram fiéis a ela depois de compreenderem sua natureza, tendiam a ser tipos neuróticos ou malignos, gente fascinada pelo espetáculo da crueldade vitoriosa. Na Inglaterra, eles não conseguiram conquistar uma massa estável de seguidores. Mas eles podem ser, e permanecem, um perigo, pela simples razão que não havia outro corpo de pessoas que se diziam revolucionárias. Se você está descontente, se quer derrubar o sistema social existente pela força, e se deseja ingressar em um partido político empenhado nesse fim, então você deve se juntar aos comunistas; efetivamente não há mais ninguém. Eles não alcançarão seus próprios fins, mas talvez alcancem os de Hitler. Não é concebível que a assim chamada Convenção do Povo, por exemplo, ganhe o poder na Inglaterra, mas isso pode espalhar derrotismo suficiente para ajudar Hitler em algum momento crítico. E entre a Convenção do Povo, de um lado, e o tipo de patriotismo “meu país acima de tudo”, de outro, não há, no presente, nenhuma política possível.

Quando o verdadeiro movimento socialista aparecer — ele precisa aparecer para não sermos derrotados, e a base para isso já está nas conversas que acontecem em milhões de pubs e abrigos antiaéreos —, ele atravessará as divisões partidárias existentes. Será tanto revolucionário quanto democrático. Ele terá como objetivo as mudanças mais fundamentais e estará perfeitamente disposto a usar a violência se necessário. Mas também reconhecerá que nem todas as culturas são iguais, que os sentimentos e tradições nacionais precisam ser respeitados para que as revoluções não falhem, que a Inglaterra não é a Rússia — ou a China, ou a Índia. Ele perceberá que a democracia britânica não é uma farsa completa, não simplesmente “superestrutura”, que, pelo contrário, ela é algo extremamente valioso que precisa ser preservado e ampliado, e acima de tudo, não deve ser insultado. É por isso que gastei tanto espaço acima respondendo a argumentos familiares contra a democracia “burguesa”. A democracia burguesa não é suficiente, mas ela é bem melhor que o fascismo, e trabalhar contra ela é cortar o ramo em que se está sentado. As pessoas comuns sabem disso, mesmo que os intelectuais não saibam. Elas se apegam muito firmemente à “ilusão” da democracia e à concepção ocidental de honestidade e decência comum. Não adianta tentar seduzi-las em termos de “realismo” e da política do poder, pregando doutrinas de Maquiavel no jargão de Lawrence e Wishart. O máximo que isso pode alcançar é a confusão do tipo que Hitler deseja. Qualquer movimento que possa unir a massa dos ingleses deve ter como notas principais os valores democráticos que o doutrinador marxista descreve como “ilusão” ou “superestrutura”. Ou eles produzirão uma versão do socialismo mais ou menos de acordo com seu passado, ou sofrerão uma conquista externa, com resultados imprevisíveis, mas certamente horríveis. Quem tenta minar sua fé na democracia, afastar o código moral derivado dos séculos de protestantismo e da Revolução Francesa, não está preparando poder para si mesmo, mas talvez o esteja preparando para Hitler — um processo que, na Europa, vimos se repetir tantas vezes que se enganar quanto a sua natureza não é mais desculpável.